Há concordância no que diz respeito à diversidade de fatores que podem levar uma criança a apresentar problemas de aprendizagem. Diferentes autores compactuam com a ideia de não explicar os problemas de aprendizagem nesta ou naquela particularidade, reforçando a necessidade de se fazer uma análise do contexto, isto é, nos aspectos: sociais, psicológicos, neurológicos, pedagógicos e familiares, além da história de vida da criança.

A criança aprende em várias situações como na escola, no lar, na rua, com os companheiros, na sociedade em que vive, entre outras possibilidades. Os pais e educadores devem agir conscientemente a fim de orientar essas aprendizagens. Acompanhando o desenvolvimento de seus filhos, os pais contribuirão para que eles se tornem adultos mais preparados para a vida de uma maneira geral.

É comum ao profissional que auxilia a criança nas dificuldades de aprendizagem, perceber que as queixas têm função de encobrir detalhes da família, muitas vezes segredos que precisam ser revisitados e trabalhados por um profissional competente. Portanto, no trabalho de intervenção é de fundamental importância a participação de todos envolvidos, para que se possa ampliar a leitura que o profissional faz da criança. Muitas vezes, é possível criar um contexto em que o sintoma, no caso, a dificuldade de aprendizagem, se torne desnecessária, permitindo que a criança utilize seu potencial na íntegra. Sem dúvidas, é extremamente gratificante para o profissional quando a criança passa a desejar, novamente, a aprender, e que o encantamento se faça presente!

A orientação aos familiares de crianças com problemas de aprendizagem pode resultar, quando houver alto comprometimento destes, em desfechos favoráveis. É fundamental, dessa forma, que eles tenham claro o quão necessários são nesse processo de ajuda à criança. Esse atendimento tem como um dos objetivos fazer com que os pais se envolvam no processo educacional de seus filhos, assim como trabalhar aspectos da relação familiar. Os pais envolvidos e interessados têm muito a fazer pelos seus filhos. Portanto, deve-se reconhecer o quão fundamental é a presença efetiva dos pais na vida de seus filhos. Cabe aos pais que eles tenham uma postura de escuta para com estas crianças, acompanhando seu desenvolvimento, ajudando-os na organização do ambiente e da rotina de forma a dar apoio e estímulo à sua autonomia. Faz-se necessário também que estes pais sejam capazes de delimitar junto com seus filhos as suas condições de convívio, isto é, as regras, sinalizando com clareza os compromissos recíprocos, respeitando as liberdades, mediando sempre que possível suas relações e aprendizagens num cenário de confiança entre as partes.

Ana Lúcia Gonçalves – psicóloga, psicopedagoga, pedagoga e acupunturista. Idealizadora e coordenadora do projeto “Psicólogos Brasileiros Online”.

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