“Caminhante, tuas pegadas são o caminho, nada mais. Caminhante, não há caminhos; faz-se o caminho ao andar” (A. Machado).

O vestibular costuma ser bastante ansiogênico, estressante, podendo, inclusive, levar alguns jovens a desenvolverem problemas emocionais. É importante que o orientador profissional esteja atento a esses aspectos e auxiliem o adolescente a enfrentar com mais segurança essa etapa, principalmente aqueles que fracassaram em outros vestibulares ou que ainda não decidiram sobre a futura vida profissional.

Muitas são as opções em se falando de profissões de nível superior, com faculdades abrindo em todos os cantos do país e novos cursos surgindo a todo instante. Uma multidão é lançada a cada ano no mercado de trabalho, aumentando a competitividade e as especializações dentro das carreiras.

É comum que vestibulandos cheguem aos consultórios de psicologia querendo soluções rápidas para suas dúvidas, pedindo aos psicólogos que “apliquem testes” e deem o resultado sobre qual a profissão lhes é mais adequada –  devemos levar em consideração que vivemos num mundo “fast”, onde tudo acontece em alta velocidade. Mas a orientação profissional não é um teste que fornece uma lista de profissões. Trata-se de um processo de tomada de consciência, onde testes, podem ou não, estar inseridos.

Deve-se levar em conta, além do projeto de carreira, o contexto sociocultural, a família, as crises pelas quais esse jovem pode estar passando, aspectos de personalidade, facilidades, dificuldades, especificidades da carreira, entre outras coisas. Portanto, a prática responsável da orientação profissional é muito complexa e exige tanto do orientador como do adolescente, comprometimento e tempo, durando em média 12 sessões, onde são utilizadas várias técnicas que auxiliam na decisão.

Preocupações com o mercado de trabalho, globalização, expectativas familiares, retorno financeiro, status, estão lado a lado com questões da ordem do desejo e devem ser analisadas ao longo das sessões.

“O mundo está começando agora, na sua mão.

Tudo pode acontecer, cuidado!

De sua palma, aberta sob as estrelas, o mundo está começando a se erguer.

Como se fosse um pássaro que se acorda, que acaba de se acordar.

E vai sair para o mundo porque tem fome de céu.

Tomara que seja azul!” (Autor desconhecido)

Ana Lúcia Gonçalves – Psicóloga, Pedagoga, Psicopedagoga e Acupunturista. Idealizadora e coordenadora do projeto “Psicólogos Brasileiros Online”. Artigo originalmente publicado na coluna “No Divã” do jornal “Diário da Serra” em 31 de dezembro de 2004. Atualizado em julho de 2020.

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