Após um longo período em casa por conta da Covid-19, começa-se a cogitar a possibilidade de um retorno às aulas, mesmo sem uma previsão exata de datas. Nesse período de quarentena, uma nova rotina foi estabelecida, novas formas de aprendizagens e, em grande parte dos lares, um convívio muito próximo entre pais e filhos.

Cada família viveu de acordo com os próprios recursos esse momento. Observamos lares que passaram harmoniosamente por essa fase, apesar de todo o caos do lado de fora, mas também houve casamentos desfeitos e lutos irreparáveis. Quando eu me refiro ao luto, estou falando de várias perdas, desde perdas de poder aquisitivo, perda da escola que estudava, perda do emprego dos pais, perda de amiguinhos que se mudaram e nem puderam se despedir com um abraço e até mesmo perda de entes queridos.

Faz-se necessário um período de adaptação na volta às aulas, tanto para as crianças pequenas como para aquelas que estão indo pela primeira vez à escola ou que fizeram mudança de colégio. Deve-se levar em conta a idade dessa criança, o momento pelo qual está passando, as mudanças por conta da pandemia, seja na escola, na vida familiar ou em algum outro aspecto da vida pessoal. Neste período de adaptação é fundamental que os pais consigam passar segurança para seus filhos para que eles possam enfrentar, com tranquilidade, esse novo ambiente e que possa experimentá-lo de uma forma positiva.

As escolas precisam se preparar para receberem essas crianças, seja do ponto de vista do risco de contágio, educacional, assim como emocional.

Quanto mais segura a criança sente-se a respeito do amor e dos cuidados dos seus pais, tanto mais facilmente ela consegue separar-se deles por algum tempo, pois tem a certeza de que eles voltarão. Passamos por momentos de muitas incertezas, mas a segurança afetiva deve estar em alta. Os pais têm que estar atentos ao nível de ansiedade das crianças, devem passar dados da realidade e ao mesmo tempo ajudá-los a enfrentar com tranquilidade esse período. Os dados da realidade são necessários para que eles compreendam a relevância de se fazer uso de medidas de segurança.

As crianças que ficaram muito agarradas aos pais durante a pandemia podem fazer dramas em pequenas separações, como por exemplo no retorno às aulas. Poderão experimentar o que se chama “apego inseguro”, imaginando que os pais vão desaparecer para sempre. Dessa forma, a adaptação deverá fazer parte do retorno às aulas.

Ana Lúcia Gonçalves psicóloga, pedagoga, psicopedagoga e acupunturista. Idealizadora e coordenadora do projeto “Psicólogos Brasileiros Online”.

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